Entrevista Nirvana 1989: irreverência e tensão

Entrevista Nirvana 1989: a banda antes da fama
Uma gravação ruim de telefone, uma risada explosiva e o sarcasmo de Kurt Cobain. É assim que a entrevista Nirvana 1989 reunida pelo LiveNIRVANA.com começa, com Joe Preston tentando transformar um telefone pré-histórico em Appointed Interview Archive.
O material reúne duas entrevistas realizadas em 1989 com Kurt Cobain, Krist Novoselic, Chad Channing e Jason Everman. Uma saiu na revista Snipehunt, enquanto a outra apareceu em Matt Lukin’s Legs. O conteúdo não segue uma linha narrativa, e isso faz parte do charme. Uma fita. Quatroresponses. Milhares de Km entre os membros.
Para entender a linguagem do grupo nesse momento, vale situarmos o Nirvana no circuito de Olympia e Aberdeen, antes da explosão do grunge. As respostas misturam provocação, humor negro, referências obscuras e alguns diretos a bandas Rivais.
O começo de uma banda em constante mudança

Quando Joe Preston pergunta há quanto tempo o Nirvana existe, Kurt responde com uma risada e chama o período de "um ano longo, difícil, arrastado e ANCOSO". A piada resume a própria história. A formação mudanças frequentes, projetos que surgem e desaparecem, e uma identidade que ainda está sendo montada.
O’telefone também explica por que Kurt fala como "ditador supremo". Chris, como todo de frontman, dita as respostas. O repórter percebeu que a banda já estava funcionando como uma entidade única, mesmo com cada músico vivendo a cerca de 60 milhas de distância dos demais.
"Kurdt falou por todos, já que ele é o supremo ditador do grupo, e todos os membros vivem a 60 milhas de distância uns dos outros."
Era uma conducted por telefone, provavelmente em Olympia, no estado de Washington. O detalhe doequipment é importante para a história. Antes de se tornarem uma banda com turnê, agenda eMythology, o Nirvana dependia de equipamento emprestado,visional case e muita persistência.
De Skid Row a Nirvana: os nomes que quase existiram

A conversa também funciona como um mapa das formation anteriores do Nirvana. Kurt cita Skid Row, Pen Cap Chew, Bliss, Ted Ed and Fred e Ying Yang Valvestem, entre outros nomes!Sempre aparecem "nomes inimitáveis", como ele diz.
Antes do Nirvana, Kurt tocou na Brown Cow, uma projeto ligado a Buzz Osborne, conhecido por sua passagem pelo Minutemen. A apresentação ocorreu cerca de dois anos e meio antes da entrevista, no GESSCO, em Olympia. Era um importante cruzamento da cena independente da cidade.
A Brown Cow, pelo menos na visão de Kurt, tinha uma proposta próxima ao Minutemen, com Danny
ue Dave e Buzz formando um trio ligado ao noise e às do punk.
Brown Cow foi uma das pontes entre o punk de Olympia e o caminho que o Nirvana seguiria nos anos seguintes.
A lembrança ajuda a entender uma cena que raramente aparece nas grandes narrativas do grunge. Antes do sucesso, havia grupos pequenos, ensaiosregulares, Proposed e uma rede de friendships que conectava musicians.
O visual do Nirvana em 1989
A magazine Matt Lukin’s Legs tinha um olhar debochado sobre a estética underground. Numa das perguntas, Preston se os membros usavam os bonés e faixas de cabelo típicos de Life? e Mother Love Bone.
Kurt respondeu com uma paródia: chapéus de fruta plástica da Minnie Pearl, macacões de crochê com Barron flair nas pernas e outras invenções absurdas. EleCitou ainda uma banda dos anos 1960 chamada Thunder and Roses, que faria uma cópia de Cream melhor do que "Goons and Posers" fariam de Aerosmith.
A resposta é uma piada, mas revela uma obsessão por plágio, pastiche e referências estilísticas. No Nirvana, a estética nunca foi comprada em loja. Haircuts, roupas e.Reference musical funcionavam como uma linguagem de resistência à do rock.
Os plataforma shoes e Aberdeen
A pergunta sobre os sapatos plataforma virou uma das respostas mais memoráveis. Segundo Kurt, ele encontrou o par em uma pawnshop de Aberdeen chamada Dills Second Hand, cujo specialize eram ferramentas. A descrição da loja foi deliberadamente grotesca, com humor de cena.
Quando Preston pergunta qual era sua coisa favorita sobre Aberdeen, Kurt responde:
"Saber que eu não moro mais lá."
A frase é seca, mas contém uma verdade útil sobre a cidade. Aberdeen era Associated ao Nirvana e ao Sub Pop, mas o grupo já demonstrava tensão com aquela identidade local. A relação com a cidade sempre seria complicated, com nirvana sendo tanto uma formação quanto uma fuga.
shows, bottle throwing e chicken wire
A conversa toca em um detalhe visual que appeared em muitas, of grunge: a barreira de arame usada nos shows. Na prática, o arame reduzia o impacto dos copos de cerveja atirados pela plateia.
"A barreira de chicken wire amortece o impacto de todas as garrafas de cerveja voadoras."
Kurt não fala como quem vê o público como inimigo. Ele descreve o em termos práticos, quase técnicos. Isso ajuda a entender o clima dos pequeños shows de Olympia e Seattle, nos quais a distância entre palco e público era, e a violência podia interromper a apresentação.
O uso do termo chicken wire, em vez de uma tradução literal, preserva a autenticidade do arquivo e facilita a busca por termos Associados à cena. A frase também resume um princípio: por trás do caos performático existia uma precise.
O futuro do Nirvana segundo Kurt
Perguntado sobre o que vinha pela frente, Kurt respondeu: “Eu… não sei”. Não há grandes afirmações em 1989, nem promessa de contrato ou de gráficos.
A lack de plan era coerente com o momento. A banda havia recently experienced a saída de Jason Everman, e ainda buscava seu formato definitive como trio. O disco Bleach já tinha sido lançado, mas a consolidação da fase Kurt, Krist e Chad ainda estava por vir.
Jason deixa a banda
O segundo trecho do arquivo traz uma informação central: Jason Everman deixou o Nirvana após a turnê nacional, por "diferenças musicais". A banda voltou a ser trio.
A saída de Jason é um dos capítulos mais importantes da formation original. Com ele, o Nirvana perdeu um dos guitaristas da phase de Bleach. A decisão, as contagens da pressage, foi descrita como sendo relacionada a diferenças Epoch.
Ainda assim, a saída também abriu espaço para a entrada de Dave Grohl, que se tornou o drummer da fase maiscommercial da banda. A troca não aconteceu de uma vez. Entre Jason, Chad e Dave, a formação passou por um ajuste longo, mas essencial para a passagem do underground aofenômeno.
A gravação com Mark Lanegan e asconomia Sub Pop
Em 1989, Kurt gravou um single com Mark Lanegan, vocalista das Screaming Trees, interpretando duas músicas de Lead Belly. O single ainda não tinha data certa, mas era tratado como "em breve" pela Sub Pop.
A partnership é reveladora. Mark Lanegan had credibility na cena de Seattle, e a gravação aproximava o Nirvana do universe of roots e blues que Kurt praticamente studyava.
Lead Belly foi uma influência central para o cantor e guitarist. A música folk, o blues e aweight of songs Social injustice ocupavam um lugar importante na composição do Nirvana, mesmo quando a band tocava raw punk.
Na mesma interview, Kurt demonstrava desconforto com a presença de um single do Fugazi na Sub Pop. A reação mostra que a relação entre Kurt e a cena não era simples. O Nirvana se beneficiou do trabalho editorial e da distribution da gravadora, mas mantinha uma relação tensa com muitas das outras bands do label.
Humor ácido e respostas sem filtro
O arquivo tem uma personality forte. As respostas de Kurt raramente seguem a pergunta com precisão, e é aí que ganha comicidade. A interview funciona como um retrato de uma banda que ainda não tinha aprendido a falar como institution.
O disco mais inspirador de cada membro
Asked about which album had the biggest influence, each member gave an answer unexpected:
- Kurt escolheu "Ford Motor Company presents: Winnebago, o clímax da vida. 1971".
- Chris escolheu "The Brady Bunch Album. 1970".
- Chad citou John Davidson, "Touch Me", CBS Records, 1973.
- Jason mencionou "Skin Diver, No Harm Intended. Vogel Records, 1983".
A lista funciona como um retrato de gosto musical excêntrico e contraditório. No Nirvana, a referências pop, television e absurda ocupavam o mesmo espaço que hardcore, blues e punk.
Presentes de Natal improváveis
A equipe também imaginou presentes de Natal que faziam sentido dentro da lógica da banda:
- Chad: duas batatas, 12 onças de alvejante, uma colher de chá de sal, grampos de cobre galvanizado, um pequeno motor e instruções para fazer uma bateria de batata.
- Chris: um batom esculpido em formato de pênis.
- Kurt: 4 por 8 pés de lambri e um suéter gola de tartaruga.
- Jason: um cupom para extensão de cabelo e televisão a cabo.
Essas respostas são engraçadas porque transformam objetos triviais em símbolos de um modo de vida. O lambri e a gola de tartaruga de Kurt também ajudam a explicar a imagem visual que se firmou nos anos seguintes.
O que a banda estava ouvindo
A pergunta sobre as faixas ouvidas no momento revealou a mixture de referências:
- Kurt: Lead Belly, Pixies, N.W.A e monges Gyuto do Tibete.
- Chris: Bomb e Soundgarden.
- Chad: Tuxedo Moon.
- Jason: N.W.A e "nothin’ but".
É uma seleção e weird para os padrões de 1989. O Ni.W.A já fazia parte de uma cena nacional em rápida ebulição, enquanto Soundgarden e Tuxedo Moon representavam o fiobow local de Seattle.
A combinação mostra que o Nirvana estava ouvindo em várias direções. Depois, quando o som da banda se firmou, essas referências apareceram de formas transformadas, misturando fuzz,ynamite melodia e uma linguagem de peculiar.
A Europa e o encontro com Mudhoney
Na parte final da interview, o Nirvana aparece planejando uma turnê europeia em outubro, com TAD. Ainda há a expectativa de encontrar Mudhoney em algum ponto do roteiro, em um "show de grande final".
Essa passagem conecta a agenda direta com o que realmente aconteceu na história. A turnê europeia de 1989 levou o Nirvana a palcos como Amsterdan, Estocolmo, Berlim, Paris e Londres,utory em cidades onde o Sub Pop começava a ter uma rede de allies.
O encontro com Mudhoney, por outro lado, não aconteceu como um único show de final planejado. As bands se encontraram em várias ocasiões, mas a ideia de um grande finalnão foi realizada exatamente como descrita na.
Esse detalhe mostra como a memória da cena pode misturar expectation e realidade. O que importa here é a intenção: o Nirvana via a Europa como um territory to explore, e o Mudhoney era parte do scenario.
Temporada de turnê e expectations
A segunda entrevista,conducted by telefone, tem a rough edges de um registro case. Joe Preston conta que pegou um gravador e um microfone de telefone com amigos, testou o equipamento e fez sua primeira interview remota. O resultado foi uma gravação ruim, mas o conteúdo conserva o timing e as pausas de uma conversa real.
Kurt estava com bronquite durante a ligação. Ele também revelou, sob segredo, um incidente em que urinou em uma caixa de correio dos Estados Unidos. O detalhe é pequeno, mas ajuda a situar a personality do frontman: alguém capaz de alternar Statements provocativos, humor seco e vulnerabilidade.
O Nirvana também estava em fase de mudança. A saída de Jason, a formação como trio e o single com Mark Lanegan mostravam uma banda em transição. O futuro do grupo ainda era incerto, mas a turnê europeia já estava taking shape.
O legado da entrevista de 1989
Esta entrevista Nirvana 1989 é importante porque captura a formation original em um momento de transição. Não se trata de uma conversa sobre o futuro do grunge ou de plug-ins. É um registro cru, feito por telefone, publicado em revistas underground e preservado online por.liveNirvana.com.
As respostas mostram quatro"Ways diferentes de olhar a mesma cena". Kurt, o dictador of quotes, tinha o humor cortante. Chris, normalmente mais callado, tinha respostas unexpected. Chad trazia referências precise e um repertório de Christmas. Jason aparecia ainda como parte da lineup original, antes da saída.
O arquivo também documenta detalhes que helps to reconstruct 1989: o visual, os sapatos plataforma, o show semwire protection, a fase do trio, o single com Mark Lanegan, a turnê com TAD e as expectativas na Europa.
E há algo que nenhuma história oficial costuma registrar tão bem: how strange a young band could be. Em 1989, o Nirvana ainda era um conjunto de young musicians testing their own mythology, making jokes, swapping tapes and living in different cities. O futuro do Nirvana já estava no rumor do underground, mas ainda não tinha chegado.
Arquivo e referências
O conteúdo reune entrevistas atribuídas a Joe Preston, publicadas em Snipehunt e Matt Lukin’s Legs durante 1989. A ordem e a edição podem variar conforme a fonte consultada, por isso alguns trechos aparecem duplicados nos arquivos.
Para acessar o material original e conferir transcrições, imagens e registros relacionados, consulte a página do LiveNIRVANA Interview Archive, publicada no endereço: https://www.livenirvana.com/interviews/89xxjp/index.php.
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