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Porque Nirvana vai além de Nevermind e "Smells Like Teen Spirit"
The Stooges: a coletânea definitiva da banda que o libertou branco

A história por trás da coletânea definitiva de The Stooges

A história por trás da coletânea definitiva de The Stooges - imagem ilustrativa
A história por trás da coletânea definitiva de The Stooges

Poucas bandas exerceram tanta influência sobre o grunge e o rock alternativo quanto The Stooges. O quarteto de Ann Arbor, Michigan, liderado pelo inclassificável Iggy Pop, cravou entre 1969 e 1974 uma trilha sonora de barulho, liberdade e tensão que mais tarde seria absorvida, mastigada e devolvida ao mundo por bandas como Nirvana, Pearl Jam, Sonic Youth e Mudhoney. No fim de 2020, em um movimento quase profético para os fãs, a Cherry Red Records anunciou o lançamento de uma caixa com cinco discos reunindo gravações ao vivo raríssimas do grupo.

O anúncio veio como um presente inesperado, em um momento no qual o autor deste texto havia acabado de publicar um extenso trabalho em três partes mapeando todas as raridades conhecidas da banda. A coincidência pareceu perfeita, como se o universo do rock reconhecesse a importância de preservar este legado antes que ele se perdesse em fitas esquecidas em porões e coleções particulares.

Por que The Stooges ainda mandam no rock

Por que The Stooges ainda mandam no rock - imagem ilustrativa
Por que The Stooges ainda mandam no rock

Antes de entrar na análise da coletânea em si, vale lembrar por que The Stooges continuam relevantes quase meio século após a sua formação. A banda não inventou o punk sozinho, mas pavimentou o terreno com uma brutalidade emocional e sonora que ninguém havia entregado até então. O álbum de estreia, The Stooges (1969), produzido por John Cale, do Velvet Underground, apresentou ao mundo um som cru, repetitivo e hipnótico, com faixas como "No Fun" e "I Wanna Be Your Dog&quot.

O segundo disco, Fun House (1970), expandiu a fórmula ao inserir o saxofone visceral de Steve Mackay, criando uma espécie de free jazz atravessado por guitarras distorcidas. Já Raw Power (1973), produzido pelo próprio James Williamson e mixado por Iggy Pop, apontou diretamente para o coração do punk e do hard rock que viria a explodir nos anos seguintes. Sem The Stooges, é quase impossível entender a estética crua e descontrolada que o Nirvana traria ao mainstream com Nevermind, em 1991.

A influência direta no Nirvana

Kurt Cobain nunca escondeu a devoção. O nome da banda foi inspirado na letra de "Come Together", dos Beatles, mas a estética do caos, da simplicidade deliberada e da intensidade quase insana veio diretamente de Iggy Pop. Faixas como "Search and Destroy" e "Gimme Danger" aparecem com frequência em entrevistas, playlists e até mesmo na formação musical dos jovens de Aberdeen que um dia mudariam a história do rock.

O que a caixa da Cherry Red traz de novidade

A grande questão que move qualquer colecionador ou fã curioso é simples: o que esta caixa da Cherry Red Records traz de tão especial? A resposta está na curadoria. O box reúne gravações ao vivo captadas em diferentes momentos da curta, mas intensa, existência original do grupo. São registros que circularam de forma limitada em bootlegs, alguns deles disponíveis apenas em edições obscuras de fãs, e que agora ganham tratamento oficial, com masterização cuidadosa e encarte riquíssimo em informações históricas.

Setlists que contam a evolução da banda

Ao percorrer os cinco discos, o ouvinte tem a rara oportunidade de acompanhar a evolução musical de The Stooges em tempo real. Os primeiros registros mostram um grupo ainda próximo ao rock de garagem, com a voz crua de Iggy Pop e a guitarra cortante de Ron Asheton. Conforme os álbuns avançam, percebe-se a entrada de James Williamson, a complexidade rítmica de Scott Asheton na bateria e a crescente sofisticação caótica que definiria Raw Power.

Cada faixa remasterizada funciona como um documento histórico. É possível ouvir o suor, o descompasso intencional, os microfones estourando e o público tentando processar algo completamente novo. Não é apenas uma coletânea, é praticamente um documentário sonoro sobre o proto-punk em sua forma mais selvagem.

A curadoria da Cherry Red Records

A Cherry Red tem um histórico respeitável quando o assunto é resgate de arquivos raros. O selo britânico é conhecido por tratar com reverência o material de bandas fundamentais da história do rock, sempre com encartes informativos e notas detalhadas que contextualizam cada faixa. No caso desta caixa de The Stooges, a promessa é de que nenhum registro oficial até hoje havia reunido esse volume de gravações ao vivo em um único pacote.

Um presente para os fãs e para a história

Mais do que um produto comercial, a caixa funciona como um ato de preservação cultural. As gravações originais, muitas vezes registradas em fitas de baixa qualidade, ganham nova vida. Os fãs de Nirvana, Pearl Jam e de toda a geração grunge encontram aqui as raízes do que eles tanto amam. Para os pesquisadores de música, é a chance de ouvir com nitidez registros antes acessíveis apenas em cópias degradadas.

Por que vale a pena ouvir esta coletânea do início ao fim

Em tempos de playlists rápidas e consumo fragmentado, propor uma caixa com cinco discos de uma banda setentista pode soar como um exagero. Mas ouvir The Stooges em sua totalidade ao vivo é uma experiência que recompensa cada minuto investido. O ouvinte consegue perceber nuances que passam despercebidas nas versões de estúdio, entende a dinâmica da banda com o público e sente a energia visceral que tornou Iggy Pop uma lenda.

A recomendação é clara: mergulhe na coletânea da Cherry Red do começo ao fim, sem pressa. Deixe o som ocupar o ambiente. Descubra por que uma banda que praticamente se autodisse em 1974 continua ditando regras para o rock feito depois deles. The Stooges não apenas influenciaram o Nirvana e o movimento grunge. Eles continuam, silenciosamente, mandando no rock e na música alternativa até hoje.

Conclusão: o legado sonoro que o Nirvana herdou

Em resumo, a caixa de cinco discos lançada pela Cherry Red Records é mais do que uma simples compilação de raridades. É a documentação definitiva de um período curto e explosivo da história do rock, no qual The Stooges plantaram as sementes de tudo o que viria a seguir. Se você ama Nirvana, se você respira grunge, se você se interessa pela origem do som que mudou a música nos anos 90, esta coletânea é uma parada obrigatória. Ouça, estude, mergulhe. A história do rock alternativo começa aqui.